UE dividida sobre o nível do teto do preço do petróleo russo, negociações serão retomadas na quinta-feira

BRUXELAS, 23 de novembro (Reuters) – Os governos da União Europeia não conseguiram chegar a um acordo nesta quarta-feira sobre o nível para limitar os preços do petróleo russo transportado pelo mar sob o esquema do Grupo das Sete Nações (G7) e retomarão as negociações na noite de quinta-feira ou na sexta-feira , disseram diplomatas da UE.

Na quinta-feira, representantes dos 27 governos da UE se reuniram em Bruxelas para discutir uma proposta do G7 para definir o preço máximo na faixa de US$ 65 a US$ 70 por barril, mas o nível se mostrou baixo demais para alguns e alto demais para outros.

“Ainda há diferenças no nível do preço máximo. Precisamos proceder bilateralmente”, disse um diplomata da UE. “A próxima reunião de embaixadores dos países da UE será amanhã à noite ou na sexta-feira”, disse o diplomata.

O G7, incluindo os Estados Unidos, bem como toda a União Europeia e a Austrália, devem implementar o limite de preço para as exportações marítimas de petróleo russo em 5 de dezembro.

A medida faz parte das sanções destinadas a reduzir a receita de Moscou com suas exportações de petróleo, para que tenha menos dinheiro para financiar sua invasão da Ucrânia.

Mas o nível do preço máximo é uma questão controversa – Polônia, Lituânia e Estônia acreditam que US$ 65 a US$ 70 por barril deixariam a Rússia com um lucro muito alto, já que os custos de produção estão em torno de US$ 20 por barril.

Chipre, Grécia e Malta – países com grandes indústrias de navegação que mais perderão se as cargas de petróleo russas forem obstruídas – acham que o limite é muito baixo e exigem compensação pela perda de negócios ou mais tempo para se ajustar.

“A Polônia diz que não pode ultrapassar US$ 30 por barril. Chipre quer compensação. A Grécia quer mais tempo. Isso não vai acontecer esta noite”, disse um segundo diplomata.

Cerca de 70% a 85% das exportações de petróleo bruto da Rússia são transportadas por navios-tanque, e não por oleodutos. A ideia do limite de preço é proibir as companhias de navegação, seguros e resseguros de manusear cargas de petróleo russo em todo o mundo, a menos que seja vendido por não mais do que o preço estabelecido pelo G7 e seus aliados.

Como as principais empresas de navegação e seguros do mundo estão sediadas nos países do G7, o limite de preço tornaria muito difícil para Moscou vender seu petróleo – seu maior item de exportação, representando cerca de 10% da oferta mundial – por um preço mais alto.

Ao mesmo tempo, como os custos de produção são estimados em cerca de US$ 20 por barril, o limite ainda tornaria lucrativo para a Rússia vender seu petróleo e, assim, evitar uma escassez de oferta no mercado global.

O petróleo bruto russo dos Urais já é negociado dentro da faixa discutida em cerca de US$ 68 por barril.

Diplomatas da UE disseram que a maioria dos países da UE, com os membros do G7 França e Alemanha assumindo a liderança, apoiam o teto de preços, preocupados apenas com a capacidade de aplicá-lo.

Reportagem de Jan Strupczewski, redação de Philip Blenkinsop; Edição de Kirsten Donovan e Lincoln Feast.

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